Sinopse

 "De Paraitinga ao Palácio da Saúde. Oswaldo Cruz, o Médico do Brasil”

de Diego Araújo

 

Justificativa:

 

"Oswaldo era muito mais que um cientista ou um sanitarista, era um daqueles personagens originais que marcaram o país na entrada deste crucial século XX, junto com Santos Dumont, Lima Barreto, Euclides da Cunha. Um brasileiro extraordinário."

Moacir Scliar

 

Hoje os arautos da história são científicos e se banham de vermelho, dourado e branco, o Tigre mostra as garras e trás nas veias a paixão pelo carnaval e abençoado pelas Deusas Serpentes pede licença para adentrar a Passarela João Jorge Trinta para contar essa grande história.

No dia 05 de Agosto de 1872, na pequena São Luis de Paraitinga, nasce aquele que revolucionaria a medicina brasileira. Oswaldo Cruz.

Exaltar essa figura tão importante na história da ciência e da medicina brasileira não é tarefa fácil. Sua vida sempre esteve envolvida com a arte da medicina, graças às pesquisas desse grande sanitarista o Brasil se livrou de pragas como a febre amarela, peste bubônica e a cólera, foi malhado e com humor a imprensa criticava todos os seus projetos, mal sabiam eles que seriam de extrema importância e eficácia para a transformação do Rio de Janeiro através dos seus “Sonhos Tropicais” e de Pereira Passos.

Oswaldo Cruz foi um marco, cortou o Brasil atrás de melhoras para o país que tanto amava e assim se tornou o “Médico do Brasil”, elogiado, aclamado se torna prefeito de Petrópolis e realiza um dos seus maiores trabalhos deixando assim um legado exemplar e maravilhoso na história do Brasil.

 

Setor 01 – De Paraitinga ao Rio de Janeiro... Nas Veias a Medicina!

A pequena cidade de São Luis do Paraitinga começou a se desenvolver ainda como vila em 1773, foi entreposto tropeiro comercial das culturas de milho e cana de açúcar que na época faziam a riqueza do Vale do Paraíba. Elevada a município e já impulsionada pelos grãos de café que enriqueciam os poderosos barões viu nascer Oswaldo Gonçalves Cruz ou como ficou mais conhecido Oswaldo Cruz, e acolhe ele e sua família até seus cinco anos de idade.

Em 1878 a família Cruz se muda para o Rio de Janeiro e se instala no bairro da Gávea, filho do médico Bento Gonçalves Cruz que o ensinara a amar a medicina e a ciência, o jovem se dedica aos estudos e aos quatorze anos se matricula na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Oswaldo Cruz se encanta com a ciência da Microbiologia que naquela época estava causando uma mudança na medicina da época chamada “Revolução Pasteuriana” graças às descobertas de Louis Pasteur e Robert Koch.

Seu primeiro contato com a Microbiologia foi no laboratório do seu Professor e Catedrático Benjamim Antônio da Rocha Faria, em 1890 o laboratório é elevado a Instituto Nacional de Higiene e o jovem Oswaldo Cruz se torna assistente de Rocha Faria. No quinto ano de estudos a revista Brazil-Médico lança dois de seus trabalhos de pesquisa e então em 1892 aos vinte se forma defendendo sua tese de doutorado, "A veiculação microbiana pelas águas".

 

Setor 02 – Os Estudos na França

Oswaldo Cruz perderia seu pai no mesmo ano da defesa de sua tese, então assume o ambulatório da Fábrica de Tecidos Corcovado que era comandado pelo Dr. Bento Gonçalves. Um ano depois se casa com Emília da Fonseca, a Miloca e com ajuda do sogro eles se mudam para Paris onde o jovem médico vai estudar no Instituto Pasteur para se aprofundar na ciência da Bacteriologia.

Durante o período de estudos Oswaldo se interessou também pela criação de materiais a base de vidro como ampolas e pipetas que eram figuras presentes em laboratórios de ciência e mais tarde se destacaria como o primeiro a produzir esse tipo de material no Brasil. Desenvolveu um interesse peculiar pela fotografia que usou como aliada para tirar fotos de tudo que via ou pesquisava e com auxilio de lente especial conseguia observar todos as imagens tridimensionalmente aumentando a profundidade de suas pesquisas.

 

Setor 03 – Instituto Pela Saúde

Enfim termina seus estudos e retorna ao Brasil, suas relações com a comunidade cientifica francesa eram grandes, as trocas de informações cientificas através de cartas e as amizades criaram um laço forte que trouxe ao Brasil em 1901 uma missão do Instituto Pasteur – onde havia estudado – que ficou conhecida como “Missão Pasteur” para pesquisar a Febre Amarela que assolava colônias francesas e o próprio Brasil.

Após voltar as atividades normais no Brasil, Oswaldo Cruz é convidado a integrar uma comissão da Diretoria Geral de Saúde Pública chefiada pelo Professor Eduardo Chapot-Prevóst que iria a Santos(Sp) investigar a alta mortandade de ratos na cidade e pesquisando descobre que a região estava dominada pela Peste Bubônica que era transmitida pelos próprios ratos. Com ajuda de Vital Brazil e outros médicos ele consegue conter a peste em Santos e dessa parceria o laboratório do Instituto Bacteriológico converteu-se em Instituto Soroterápico do Estado de São Paulo e leva ao Rio de Janeiro  a idéia do Instituto Soroterápico Federal.

A idéia é aceita e o então prefeito da capital Cesário Alvim doa os terrenos da Fazenda de Manguinhos para a instalação do instituto, cercada por um grande manguezal a obra é iniciada sob o comando e direção do Barão de Pedro Affonso que já era diretor do Instituto Vacínico Municipal. Então após a construção Oswaldo Cruz é chamado para assumir o cargo de diretor técnico e passa a produzir soro e vacina contra a peste bubônica, algum tempo depois com a saída do barão da direção ele assume a direção geral do instituto.

 

Setor 04 – Sonhos Tropicais de Um Novo Rio

Cada vez mais conhecido a nível nacional e internacional, Oswaldo Cruz é nomeado para a Diretoria Geral de Saúde Pública, ao lado de Pereira Passos começam a re-organizar a capital. Pereira Passos faz uma imensa reforma urbana, casebres e cortiços vão ao chão no que foi chamado de “Bota-Abaixo” e entrega os planos de uma nova rede de água e esgoto.

Oswaldo Cruz cria a “Brigada Mata-Mosquito”, agentes de saúde começavam a percorrer toda a cidade, limpando fossas e bueiros, caixas d’água e exterminando todos os focos de mosquitos transmissor da Febre Amarela na cidade, começou a travar também uma guerra contra os Ratos, surge então o que chamaram de “Ratoeiros” os cidadãos eram chamados a caçar, matar ou aprisionar ratos e entregar ao instituto de sorologia para pesquisa a fim de exterminar a peste bubônica. Faltava ainda combater a Varíola, Oswaldo Cruz lança a campanha da vacinação obrigatória para todos os moradores da capital federal, insatisfeitos com a população se revolta e chama de “Código de Tortura” a lei oficializada pelo governo obrigando todos a serem vacinados, então um novo batalhão é formado e a luta se estende por duas semanas até que grande parte da população é vacinada, desse modo em um ano as pragas que assolavam a capital foram controladas ou erradicadas e a “Cidade da Morte” como era conhecida o Rio de Janeiro passa a ser chamada de “Cidade Maravilhosa” era enfim um novo Rio, a capital civilizada, Paris Tropical!

 

Setor 05 – O Médico do Brasil

A consagração de Oswaldo Cruz era grande, o Rio de Janeiro via uma nova luz iluminar o caminho da cidade, com a proibição da acumulação de cargos ele opta por ficar apenas como diretor do instituto que agora tinha o seu nome e observava aos poucos se erguer o novo prédio de pesquisas imaginado por ele mesmo e que viria a ser chamado de “Pavilhão Mourisco” ou “Palácio da Saúde” e cria várias expedições pelo Brasil para poder inspecionar como andavam as condições higiênicas de instalações importantes para a federação. A primeira “Expedição Sanitária” organizada fez uma vistoria em todos os portos fluviais e marítimos do país, organizando um plano de remodelação que adaptasse os portos aos preceitos recomendados pela Conferência Sanitária Internacional de 1903.

Em 1910 parte para a região da construção da ferrovia Madeira-Mamoré, assolada por uma infestação de malária ele vai atrás de fontes de estudo para organizar um ataque ao mosquito transmissor e consegue conter os poucos a infestação com medidas de urgência como o isolamento de doentes, ingestão de quinino e expediente de trabalho até o fim da tarde, ao deixar o local Oswaldo Cruz vai até Belém do Pará que vivia as glórias do ciclo de extração da borracha e uma epidemia de febre amarela que assolava toda a cidade, utilizando os mesmos métodos que aplicara no Rio de Janeiro em 6 meses a epidemia foi controlada e erradicada da cidade.

Oswaldo Cruz volta ao Rio de Janeiro, mas rapidamente retoma as jornadas pelo Brasil, a serviço da companhia da ferrovia Central do Brasil cruzou os vales do são Francisco e do Tocantins fiscalizando uma nova ferrovia que ia de Pirapora (MG) à Belém (PA), em 1912 aceita o convite de Afrânio Peixoto e se candidata à cadeira de número 5 da Academia Brasileira de Letras, por freqüentar os mais celebres salões literários do Rio de Janeiro e ter uma das mais completas bibliotecas da época é eleito e em 1913 assume a cadeira com todas as pompas de um ilustre acadêmico.

Em 1914 viaja para sua amada Paris, passa um ano aperfeiçoando seus conhecimentos científicos, mas por causa da primeira guerra mundial resolve voltar ao Brasil, deixa a família na Inglaterra temendo ataques marítimos e assim retorna à pátria sozinho. Já no Brasil descobre que havia desenvolvido a mesma doença que vitimara o pai anos atrás, passado um tempo sua saúde fica muito debilitada e o médico sanitarista desenvolve também uma doença que o embaçava a visão, mesmo assim ainda lutara pelo Rio de Janeiro que tinha ajudado a transformar.

A pedido do governo estadual ele parte em combate a formiga saúva que estava se disseminando como uma nova praga e destruindo todas as plantações do estado, seria aquela a última batalha de Oswaldo Cruz em problema de descolamento de retina o afasta das pesquisas e mesmo muito doente volta a comandar o instituto em Manguinhos.

Preocupados com sua saúde os familiares e amigos de Oswaldo Cruz pensavam num meio de dar mais tranqüilidade a vida do médico, então a pedido do seu filho mais velho em 1916 se afasta do Instituto e o governador Nilo Peçanha o nomeia prefeito da recém criada Petrópolis, a cidade que seria o último refugio da família imperial brasileira o acolhe como primeiro prefeito, Oswaldo Cruz logo trata de organizar toda cidade, num grandioso plano de governo planta hortênsias nas margens dos rios e ergue o Palácio do Império, o Museu Imperial e o Jardim Botânico de Petrópolis, dando ares de pureza a cidade imperial.

Então em fevereiro de 1917 aos 44 anos, é encerrada toda a obra da vida de Oswaldo Cruz, o médico falecera em Petrópolis, mas seu nome nunca haveria de cair no esquecimento, todas as vezes que se fala em cientista brasileiro é de Oswaldo Cruz um dos primeiros nomes que vem a mente, herói nacional, médico do Brasil, são tantas as formas que podemos usar para recordar dessa ilustre figura que hoje é símbolo da ciência brasileira.

 

Samba-Enredo

Compositores: João Pinho, Imperial, Yuri Aguiar, Leandro Thomaz, Rodrigo Oliveira, Ewerton Fintelman e Murilo Sousa

 

Camisa balança trazendo pra massa
A estréia do tigre guerreiro e de raça (
bis)
Sua ideia é minha luz
Alô alô, taí Oswaldo Cruz


Eu vi nascer no destino
Um canto-menino que foi caminhar
Foi buscar seu afã, num novo amanhã o seu despertar
E clareou pela vida jornada infinda
Descobriu encantos, semeou a paz
A luz iluminou o amor então brotou
Na arte que seu peito abrandou

Esse chão viu brotar, amizade ao chegar
A cura desse povo a grande paixão (
bis)
Pois quem sabe criar, sabe que acreditar
É a benção que abraça toda uma nação


“Passos” que traçam o homem
Deixam na historia marca singular
A praga que passa revela verdades
Traz Brasilidade pra cada olhar...
Uma paixão à francesa
Tem na bandeira o amor
E deixa para quem ficou a arte de lutar
No chão por qual passou, seus filhos vão cantar
No coração levar, o canto de um eternizar

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